Novamente em turnê pelo Brasil, as norte-americanas do The Donnas passaram por Santos, na noite da última quinta-feira, dia 6 de novembro. Quando cheguei à frente da Royal Mercúrio, o pouco movimento me surpreendeu. Havia algumas pessoas espalhadas, mas nada de um público massivo.
Na verdade, a situação estava um tanto complicada. As meninas, cheia de pompa, não haviam gostado da casa, não tinham passado o som como queriam e estavam fazendo um doce. Ao encontrar a amiga de profissão Lisa Magalhães, editora da revista Lun'Attica (ex- revista Rock Feminino), ela me confidenciou que as coisas não estavam muito amistosas e conversando com o manager das californianas, Joey Minkes, ele confirmou que as moçoilas estavam um pouco irritadas, insatisfeitas e cansadas, por isso, até uma entrevista com as mesmas seria difícil.
No entanto, assim que Brett Anderson (vocal), Allison Robertson (guitarra), Maya Ford (baixo) e Torry Castellano (bateria) subiram ao palco, parecia que nada havia ocorrido anteriormente. O quarteto logo botou a galera pra pular. A promessa de levar os fãs à loucura estava paga. Destaque para Bitchin', Smoke You Out, It Takes One To Know One, Take it Off e a engraçadíssima, mas marcante Don´t Wait Up for Me. Do começo da carreira tivemos Everyboby smoking Cheeba. Wasted também teve o seu destaque quando roubaram um cachorrinho de pelúcia que Brett tinha ganhado no camarim e a cantora levou para o palco. Falta de educação pouca é bobagem, né?
O show também teve espaço para uma parte política. Brett expressou literalmente a sua felicidade pela eleição do mais novo presidente norte-americano Barack Obama. Até ai, tudo bem, ela está falando do seu novo presidente e que está sendo considerado o salvador da pátria. Mas, o mais estranho, é ver um monte de jovens desmiolados gritando o nome do primeiro negro a chegar o posto mais alto na terra do Tio Sam como se fossem marionetes. Na minha opinião, esta atitude é totalmente estranha e inaceitável. Esse foi apenas um comentário da frontwoman e não merecia ser levado tão adiante, com tanto clamor público, o cara nem seu presidente é. Eu sei que muitas atitudes dele podem influenciar o nosso cotidiano, mas gritar seu nome é pura atitude de acéfalos.
Tirando isso, as gurias souberam domar a galera. Brett Anderson é uma frontwoman de marca maior. Sabe ser sexy, interagir com a galera e não soar enjoativa. A guitarrista Allison Robertson é o Dave Mustaine de calcinha. Ela não toca como o mentor do Megadeth, mas a cabeleira dela lembra bem o começo de carreira de seu compatriota. Madeixas a parte, Allison toca muito. A baixista Maya Ford pode ser um amor de pessoa para os fãs, mas no palco ela é um poste! Dá um passinho pra cá, outro pra lá e nada mais. Nem na frente do palco ela chegou. Já a baterista Torry Castellano senta a mão no seu kit sem dó e piedade. Mesmo morrendo de calor, Torry ditou o ritmo acelerado até o fim. Infelizmente, no final da apresentação, ela não agüentou e passou mal no camarim.
No entanto, a noite que era pra ser só de festa teve um outro péssimo imprevisto. Infelizmente, sempre tem porco idiota no meio de quem está querendo apenas se divertir. A jovem Liza Farina, fã de longa data da The Donnas e, assim como muitos fãs, desceu a Serra para conferir mais um show da turnê Bitchin', foi esmurrada covardemente por uma punk (tinha que ser!) de boina (?) marrom. A agressão ocorreu simplesmente porque a vocalista Brett Anderson dedicou a músicas Who Invited You especialmente para Liza. Lamentável. O pior de tudo foi que a agressora saiu impune e rindo à toa.
As bandas de abertura foram Rockers, Zebra Zebra, Reativa e Kaizen. Se você chegou justamente na hora que as quatro meninas começaram a se apresentar sorte a sua! Foi pior tortura musical que já presenciei em meus nove anos de cobertura jornalística!
As The Donnas não são as garotas super poderosas que tanto desejam ser, mas pelo menos salvaram a noite e mostram que mulher também tem espaço no Mundo do Rock ´n Roll.
Agradecimento: Fabrício (Garage Fuzz).
Créditos:
Costábille Jr. (texto)
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