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JULIETTE LEWIS - CD TERRA INCOGNITA

Alguns poucos meses depois de ter anunciado o final de sua banda anterior, Juliette And The Licks, com a qual lançou dois álbuns, um EP e alguns singles, a cantora e atriz americana Juliette Lewis está lançando neste mês de setembro de 2009 o primeiro álbum de seu projeto solo, que chegou a se chamar Juliette and The New Romantiques, mas acabou batizado como Juliette Lewis mesmo.

Com uma 'intro' e onze músicas em cerca de 45 minutos, e produção de Omar Rodriguez-Lopez (integrante da banda The Mars Volta), o disco mostra novas facetas da personalidade musical da cantora e atriz. É verdade que ainda podem ser ouvidos ecos dos "Licks" em faixas como "Noche Sin Fin", apesar dos ruídos um pouco fantasmagóricos no início e na segunda metade da música, e de mais variações nos riffs e solos de guitarra. Já "Terra Incognita", bem roqueira e com muitos vocais de Juliette ao fundo, no refrão lembra muito "Sticky Honey", do álbum "Four on The Floor".

As mudanças no som e na voz de Juliette podem ser percebidas a partir da terceira faixa, "Hard Lovin' Woman". Acompanhada apenas por uma guitarra, Julie arrasa numa interpretação muito inspirada no blues, encarnando a 'Janis Joplin' que existe dentro dela. "Fantasy Bar" acelera novamente as coisas, em outra canção com pinta de Licks.

A "Terra Incognita" do título do álbum significa os novos territórios musicais que Juliette Lewis quer conhecer e dominar. E o disco realmente tem canções mais variadas do que a batida rock baseada apenas no trio Stones/Who/Stooges. "Romeo", sexta faixa, já muda a atmosfera do disco. Uma balada com camadas de teclados, guitarras etéreas e refrão que fala de um relacionamento que dure "sempre e para sempre". 'Barulhinhos' eletrônicos introduzem a quase 'The Mars-Voltiana' "Ghosts", que ainda traz solos de guitarra dobrados em seu final.

"All Is For Good" é uma boa canção com veia pop e a mais curta do disco, com apenas dois minutos e meio de duração. "Female Persecution", a faixa mais experimental do álbum e totalmente 'The Mars Voltiana', mostra uma Juliette mais contida nos vocais, quase falados, cantando que "não divide nada com os homens", acompanhada por acordes dissonantes e muita variação nos dedilhados de guitarra cheios de efeitos 'delay'. E logo após essa experimental, vem a mais pop do CD, a linda "Uh Huh", com Juliette cantando docemente desta vez.

As duas últimas músicas fecham com chave de ouro um grande disco: "Junkyard Heart", com refrão que explode em guitarras em outra grande interpretação de Juliette e "Suicide Dive Bombers", que começa com voz e violão, depois a banda toda no refrão e termina sutilmente com violão e Julie cantando algo como: "Eu estou dizendo a você: o futuro é para sempre".

Em entrevista de divulgação, Juliette Lewis disse que "não queria fazer esse álbum com a mesma canção onze vezes". Acho que ela conseguiu mais: gravou seu melhor disco.

Nota 9,5

Juliette Lewis
CD Terra Incognita
Ano 2009
Gravadora: The End Records (importado)


Faixas:
01-"Romeo" (intro)
02-"All is for God"
03-"Ghosts"
04-"Fantasy Bar"
05-"Hard Lovin' Woman"
06-"Terra Incognita"
07-"Uh Huh"
08-"Female Persecution"
09-"Junkyard Heart"
10-"Intro"
11-"Noche Sin Fin"
12-"Suicide Dive Bombers"

Por: Paulo Ricardo Schwinn - RJ - 01/09/2009 - www.mundorockdecalcinha.com

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