Entrevistas
Entrevista: Mundo Rock de Calcinha
Por Tarcísio Cabral
Criado há dois anos por Gisele Santos, em São Paulo, o site Mundo
Rock
de Calcinha, trata-se de um portal informativo voltado para bandas
de
rock femininas ou que tenha mulheres no vocal. Praticamente
todo
conteúdo do site ficar a cargo de sua administradora, exceto
algumas
colunas mensais que conta com a ajuda de colaboradores que
escrevem.
Anteriormente Gisele Ficou conhecida por produzir o MundoRock.net,
que
trata do rock em geral e que pretende voltar após nove anos fora
do
ar. Ela é formada em administração de empresas, radiojornalismo
e
locução para rádio e tv, e cursa atualmente jornalismo. Gisele Santos
se
apaixonou pela comunicação em 1997, quando fazia matérias para um
guia de
lazer. Além do Mundo Rock de Calcinha, ela atua na área de
assessoria de
imprensa desde 2002.
Para começar gostaria de
saber os motivos que a fez montar um site de
rock destinado especialmente ao
público feminino de rock?
Essa idéia fortaleceu muito mais quando comecei a apresentar
um
programa numa rádio web dedicada para brasileiros residentes no
Japão
em 2004. Eu percebi que muita menina se identificava comigo, por
ser
também mulher e criado site de rock e falando diretamente sobre
o
assunto, tanto que criei quadros no programa e eu falava que a
mulherada
rock n'roll invadiu a programação. E muitas pessoas falavam
"po, você devia
fazer algo voltado pro rock feminino, pois a maioria
dos sites são muito
parecidos e foram criados por homens". Fui
amadurecendo a idéia, fazendo cada
vez mais contatos com as bandas,
estudando todo histórico não só das
artistas, mas também de outros
veículos, mas a maioria não era totalmente
dedicado e mutio menos
feito de maneira jornalistica. Até que em 2007 comecei
com o programa
que até hoje é muito bem aceito e bem divulgado na midia
também. Ah! E
já faturamos três prêmios (dois GRC Music e um Dynamite, na
categoria
Melhor Programa de Rádio). E como sempre vou aos shows,
faço
entrevistas, vou em coletivas, etc, resolvi ampliar o site com
todo
esse conteúdo, tornando o Mundo Rock de Calcinha bem mais
completo.
Você de alguma forma se considera uma
feminista por possibilitar esse
canal dedicado ao público feminino
?
Todo mundo confunde bastante. O meu trabalho é
jornalismo
especializado em rock feminino, nas editorias cultura, música
e
variedades. Com o Mundo Rock de Calcinha é claro que não podemos
deixar
de apoiar o movimento, mas nada extremo, tudo na dosagem ideal
para não
menosprezar a batalha da mulherada. Muitos eventos feministas
são bem
bacanas, pois conscientizam as meninas de muitos problemas que
infelizmente
as mulheres ainda passam, por exemplo, violência dentro
de
casa.
Em algum momento pensou em montar um abanda ou
já teve alguma?
Com 18 anos eu tinha banda Dive, mas nunca saímos da garagem
(risos).
Eu tenho bateria e só faço barulho. A banda era eu na bateria,
a
Luciana na guitarra e o primo dela Rafael no baixo. Era um
horror
(risos). Pois é, só agora respondendo essa pergunta notei que
não
tinhamos vocalista (hehehehe). Não sou muito disciplinada em cursos
de
música. Já tentei fazer violão, mas naõ tive paciência e comecei
a
faltar muito. Com a bateria até durou um pouco mais, uns seis
meses
(risos). Talvez o meu erro tenha sido pensar que seria tudo fácil
e
rápido, além de ter aulas muito conservadoras. Hoje em dia
existem
músicos que já vão direto ao assunto, com o cara colocando a mão
na
massa já. Quem sabe ainda eu não volte a estudar...
O mundo rock de calcinha completa 2 anos no ar esse ano e antes
disso
você teve o mundorock.net que ficou 9 anos no ar. Gostaria de saber
as
principais dificuldades enfrentadas e que enfrenta ainda hoje
para
manter o site no ar.
O Mundo Rock .net vai voltar no próximo ano, pois eu tive
muitos
problemas com o banco de dados e com tantas atividades agendadas
em
2009, vai ser impossível recuperar tudo e colocar a casa em
ordem.
Dificuldade é sempre falta de grana e infelizmente no Brasil
arrumar
patrocínio é um suplicio. Eu reparei nesses anos que existem
as
panelinhas, tanto em grupos menores quanto em grupos mais
poderosos.
São sempre os mesmos,digamos, 'mamando na vaca'. E infelizmente
muitos
provedores preferem até copiar e formar equipe do que apoiar algo
que
já esteja no ar. Mas o grande barato disso tudo, principalmente
pra
quem estuda comunicação, é que na internet podemos fazer todo
esse
laboratório multimidia (rádio/podcast, blog, site, web
tevê).
Manter um site como o mundo rock de calcinha
no ar atualizado e com um
conteúdo diversificado requer certo trabalho. Você
conta com a ajuda
de colaboradores para manter o site?
Contar com colaboradores que se dediquem semanalmente já até
desisti.
Todos se empolgam no começo, mas infelizmente nem todas as
pessoas
assumem as responsabilidades e o que sempre me deixa de boca aberta
é
que muitos imploram pra colaborar e depois somem sem dar ao menos
um
'tchau'. Algumas pessoas são falsas, mentem, ou seja, usam pescoço
como
degrau. Eu já levei muito na cabeça, mas faz parte do show ... O
bacana é que
tem um outro lado, pois muita gente consegue contatos
legais e até trabalhos
em veículos remunerados, fazendo portfólio no
Mundo Rock de Calcinha ou
Mundo Rock, fico super feliz que meus sites
tenham toda essa credibilidade e
encaminhe muita gente na área para
progredir. Bom, voltando a pergunta,
preferi no Mundo Rock de Calcinha
criar algumas colunas mensais, pois assim
os colaboradores só terão
que se preocupar uma vez por mês e podem se dedicar
a outras
atividades, estudos, etc. Atualização, textos, notícias,
administração
de todo conteúdo, promoções, empacotamento de brindes
(risos),
produção do programa de rádio/podcast, etc, etc, etc, eu faço
tudo
sozinha e no próximo ano terei mais tempo para me dedicar com
mais
conteúdo.
Como é o dia do mundo rock de
calcinha? Fale um pouco da rotina.
Diariamente consulto o email para conferir sugestões de
pautas
enviadas por assessorias de imprensa, bandas e
ouvintes/leitores.
Filtro o que não interessa, ou seja, o que vai pra sexta
pasta (o
lixo). E o que acho interessante entro em contato para
agendar
entrevistas ou solicitar material que pode ser CD para resenha,
também
para sorteios. Muito material serve também para a seção notícias.
O
programa é atualizado quinzenalmente. E o conteúdo do site
semanalmente.
Também são feitas coberturas de eventos (shows,
entrevistas coletivas) para
contar aos leitores como tudo aconteceu em
formato de resenhas
criticas.
O mundo rock de calcinha é um site totalmente
atípico por tratar de um
assunto que é pouco abordado, que é a presença
feminina no rock. Sendo
você jornalista e produtora de um canal que trata do
assunto como vê
isso?
Eu acho que mulheres no rock sempre existiu, mas eram poucas
ainda que
enfretavam a família e a sociedade para mostrar que também
podem
formar banda. A cena vem fortalecendo a cada ano, devido
a
modernidade, família mais cabeça aberta, sociedade também. Eu
percebi
que desde o fim de 2000 surgiram muito mais bandas, uma nova
geração
que pegou um mundo já um pouco diferente. E a Pitty dessa época
pra
frente foi grande responsável incentivando muitas meninas e
aqueceu
esse mercado. Acho que as meninas do rock já conquistaram o espaço
de
vez e hoje o Mundo Rock de Calcinha é a vitrine para mostrar todas
as
novidades e algumas já não tão novas, como Motores , por exemplo,
que
já está na estrada há 10 anos e muita gente nem sabia. Sobre a
mídia
não abordar tanto o assunto, é que na verdade ainda existe
preconceito
contra o rock, independente se é feito por homem ou mulher, até
mesmo
cultura, muito jornalista torce o nariz e acha que isso deve ser
feito
somente por focas em início de carreira, inclusive dentro da
própria
faculdade esse tipo de preconceito ainda existe também. O autor
Paulo
Chacon, diz em um trecho do livro “O que é Rock?” (Brasiliense,
São
Paulo, 1982): “Negar o rock é, como em várias outras
posturas
conservadoras, negar os tempos”. O rock evolui enquanto
vários
acontecimentos marcam épocas, além do estilo musical fazer parte
da
vida de milhares de pessoas que vão semanalmente aos rock bares
e
shows. São Paulo é rota de 90% dos eventos nacionais e
internacionais,
na maioria das vezes com lotação máxima. Foi o caso do show
da banda
inglesa Iron Maiden (criada em 1975) que bateu recorde de público
de
toda sua carreira, em março de 2009, quando se apresentou para 63
mil
pessoas no Autódromo de Interlagos. Além dos produtores de
eventos
lucrarem com as vendas de ingressos, os shows de rock movimentam
a
economia nos bairros onde recebem as o evento (hotel, lojas,
bares,
estacionamento) e também aquecem a economia informal realizada
por
vendedores ambulantes (capas de chuva, bebidas, camisetas,
bandanas,
bandeiras). Esses são somente alguns exemplos para mostrar para
alguns
que talvez tenham preguiça de pesquisar, que o rock está presente
no
país durante o ano inteiro e movimenta a situação economica de
vários
trabalhadores.
Além das mulheres os
homens também costumam acessar e opinar no site?
Como você vê essa presença
também masculina apesar de ser dedicado ao
público feminino
?
No começo das atividades muito mais meninas participavam e eles
só
olhavam (risos). Dois anos depois eles foram perdendo a 'vergonha'
e
participam em comunidades no Orkut, emails, murais, etc. A maioria
das
sugestões e participações ajudam bastante e muitos
dos
ouvintes/leitores viraram meus amigões, até chamamos de família
MRC.
Hoje em dia está bem equilibrado, homens e mulheres estão ligados
no
MRC.
O que o público pode espera do Mundo Rock de
Calcinhas daqui para frente?
Site com novo designer, com mais conteúdo, novas seções, o
programa de
rádio semanal.